VIOLÊNCIA CONTRA OS
ANIMAIS
Autor: Eduardo Giraldello.
Resumo
Pretende-se com esse artigo fazer com que
haja uma reflexão maior sobre esse assunto na sociedade, forçando o
leitor a pensar e desse modo encontrar maneiras de combater esse
tipo de violência.Sob diferentes enfoques vários pontos a serem
comentados.De início logo tratamos da relação da violência animal
com a doméstica, tradições e atos de torturas, violência psicológica
contra animais testes de laboratórios além de um relato
interessante sobre uma visita a um abatedouro.Objetivando um maior
debate, esses temas servem para esclarecer as pessoas sobre a
matéria e assim contribuir para um maior
debate.
Introdução
Todos sabemos da importância que os animais
têm para o homem, seja para a alimentação, vestimenta, ou mesmo
para a manutenção da vida no Planeta.Ainda mais nós brasileiros que
ouvimos e vemos a todo tempo notícias, reportagens, matérias que
falem sobre o assunto e da importância deste para a sociedade
brasileira.
Muito embora, sabendo do que se trata o
assunto acima, muitas pessoas no Brasil não têm essa
consciência.Por esse motivo é visto por ai muitas atrocidades
cometidas contra esses seres vivos.Muitas vezes quem pratica esses
atos violentos são os próprios donos, quem a princípio deveriam
protegê-los, o proprietário que usa de meios angustiantes e
extremamente dolorosos para sacrificar seus animais(no caso dos
animais de corte), além de algumas vezes serem muito demorados.Para
se ter uma idéia é costume em algumas fazendas a castração de bois
através da imobilização total por uma corda e com uma marreta de
tamanho pequeno esmaga-se os testículos do bovino, e”como
fundo musical” ouve-se os gemidos desse ser provindos de sua
enorme dor, e isso é só para citar um
exemplo.
Há áreas muito delicadas para se falar,de um
lado os protetores dos animais do outro cientistas que fazem
experimento com animais, entre os donos de frigoríficos e seus antipatizantes, tradições
populares.Até mesmo temas sociais como a relação entre violência
doméstica e maus-tratos contra os animais.São questões
interessantes que trataremos a seguir.
Violência em
potencial
Segundo alguns estudos nos EUA há uma ligação
entre violência contra animais e contra os humanos ,principalmente
nos lares.Sabe-se que um tempo antes da violência contra crianças
ou mulheres, há sempre um caso de crueldade e maus-tratos aos animais.Isso
mostra quão séria é essa violência contra animais domésticos.O que
parece, é que é bem mais do que não gostar ou ter repulsa desses
bichos, no entanto mostra-se um indicativo de violência doméstica
em potencial.Em 1999 uma criança foi morta por espancamento no
estado da Filadélfia EUA .Meses antes haviam-se feito denúncias a
respeito de abusos contra o cão da família(1).É um exemplo e muito mais
constante do que parece, em pesquisa realizada por Deviney,
Dickert& Lockwood, 1983, os abusos com animais ocorreram em 88%
dos lares em que houve abusos com
pessoas(1).
Se pararmos para pensar, essa ligação entre
dois tipos de violência é correspondente aqui no Brasil. Eu mesmo
já tinha ouvido falar a respeito de algum chefe de família agressor
que costumava maltratar seus animais domésticos.Claro que não
podemos generalizar totalmente e dizer que todo aquele quem fere
um animal será um agressor de seres humanos. Entretanto pode ser um
indício de falta de respeito com a vida sob qualquer de suas formas.Se
hoje talvez faça com um animal alguma maldade a ponto de se tornar
hábito, há uma chance de acontecer com alguma pessoa mais tarde, e
ai pode ser tarde demais!Pois muita gente “perde sua vida em
casa”.
Tradição?
Uma das tradições populares mais polêmicas é
a farra do boi no litoral de Santa Catarina.Muitos ambientalistas e
defensores dos animais criticam essa festa que eles vêem como
crueldade.
Credita-se sua criação aos descendentes de
açorianos, predominantes no litoral catarinense(2).Ocorre
com mais freqüência na
época da páscoa, tendo seu ápice na sexta-feira santa.Alguns
proprietários doam seus bois, que antes do evento é fechado sem
comida por vários dias, no entanto coloca-se alimento e água em um
lugar que possa ser visto pelo animal;tal situação põe-o em
desespero.Depois de terminado o confinamento, solta-se o
boi e ele é perseguido
com paus, facas, bambus, chicotes, por pessoas de todo o tipo
–homens, mulheres e crianças – e perseguem-no que no
desespero de fugir, corre em direção ao mar e acaba de
afogando(3).
Muitas vezes durante a perseguição segundo
fontes da wspa-Brazil afirma ter visto animais banhados em gasolina
e depois incendiados, pimenta nos olhos deles que geralmente são
arrancados .Geralmente dura três ou mais dias de perseguição.Depois
de morto a carne é dividida entre os
participantes(3).
Segundo alguns é uma analogia à Paixão de
Cristo, onde o boi representaria Judas.Outros dizem que o boi seria
o Diabo e dessa forma estariam se livrando de seus
pecados(2).
A que ponto uma tradição cultural pode
intervir na vida animal?Porque simplesmente não abate-se o boi para
comerem como em outra festividade qualquer.Toda pessoa
sabe que um animal, seja bovino ou qualquer outro sofre dor, fome,
sede e medo de morrer como nós humanos sentimos.Talvez seria
necessário perguntar, e se alguns deles estivesem lá, sentindo o
mesmo que o boi sentiu, iriam gostar?Por que não fazem um boneco
representando algo, mas não um ser vivo que mereça
respeito.
Esse é apenas um dos casos que acontecem no
país.E quanto à tradição de torturar animais que passa de pai para
filho dentro dos lares.É muito comum os proprietários de algumas
casas quando vêem gatos passando no seu telhado ou fazendo sujeira,
ou defecando no quintal, pegarem o animal e depois o espancam, torturam-no porque o
seu pai fazia isso também.Animais não são seres racionais e
portanto acabam fazendo coisas que os humanos não
gostam, pois só tem uma alternativa a seguir: seus instintos.E nós
humanos racionais com várias alternativas melhores, simplesmente
seguimos nosso instinto de raiva e os
matam.
Violência
psicológico
Quem já não ouviu no rádio ou viu na TV um
ataque de cachorro,principalmente Pitt Bull ao seu próprio dono.No entanto
não é a raça, nem o cão em si que é o culpado.Por ignorância da
parte de alguns donos eles são instigados à agressividade excessiva
através’ não raro de estresse grandes, e o
que é pior às vezes sem comida.Esta é uma combinação que pode ser
fatal, para ambos.
Há um tempo atrás foi discutido a
possibilidade de castração generalizada de três raças:Pitt Bull,
Rotweiller e Mastin Napolitano por serem consideradas perigosas.O
que gerou revolta por parte de alguns proprietários.Na verdade o
que há é que uma minoria mau-trata psicologicamente seus animais a
ponto de ficarem agressivos e atacarem muitas vezes pesoas, fazendo
com que a sociedade veja essas raças com repulsa.O que teria que
haver é um controle maior de quem possui um cachorro desse porte e
talvez até um”acompanhamento”, principalmente em
questões físicas e psicológicas.Um animal sem essas condições
torna-se muito agressivo.
Testes de
laboratório
Uma das questões que geram mais polêmica são
os testes de laboratórios.Temos ciência de que esses procedimentos
nos são muito úteis com o interesse de tratar doenças e outros
problemas.No entanto alguns deles podem causar sofrimento
desnecessário.
“O problema é que cerca de 80 % desses
testes é feita sem anestesia , ou usando uma vida, quando há
alternativas para se realizá-los sem animais, segundo o biólogo
Sérgio Greif, autor do livro “Alternativas ao uso de animais
vivos na educação”.Os testes em animais causam dores
extremas, cegueira e morte”(4), como diz certo artigo.E
continua descrevendo algumas formas de experimentação., como por
exemplo”na indústria da beleza, são usados hamsters,
porquinhos-da-índia, ratos e coelhos.Para testar xampus ou
sabonetes, esses animais sofrem irritação na pele e outros tipos de
infecções”(4).
Um dos métodos mais cruéis que já foram
feitos é a cãmara de internação ou calor radiante, em que gatos,
coelhos e cães são expostos à temperatura de mais de 70°c para
determinar a resistência do organismo a altas temperaturas e obter
dados sobre o comportamento do corpo quando em febre.A maioria
desses animais morre nas primeiras sessões ou é
sacrificada(4).Imaginem seus gritos
desesperados.
No entanto a maioria das vacinas são feitas
através de procedimentos com animais.Como por exemplo temos o soro
antiofídico a antitetânica entre outras.
Discute-se atualmente uma eliminação ou
minimização máxima da utilização desses animais. Isto porque
algumas empresas estão conseguindo sem o uso deles.Como vimos
algumas experiências, senão todas, trazem muitos prejuízos ao
animal.Como no caso dos cosméticos,interessante ponderarmos, será
que a beleza hoje em dia vala mais que a vida de milhares de
animais?Ou como citado acima, não há uma outra forma de conseguir
os mesmos resultados?
Por tudo isso é que este assunto é tão
contraditório, ao mesmo tempo que prejudica nos ajuda a combater
doenças.
Entre as novas alternativas de pesquisa
científica feitas podemos citar:o uso de células “in
vitro”, microorganismos, animais invertebrados, modelos
matemáticos etc(5).
Os obscuros
matadouros
Matadouro é o lugar onde são mortos os
animais que foram selecionados para o abate a fim de comercializar
sua carne e ou o que for útil.Não sei quanto a vocês mas eu nunca
entrei em um. E confesso que não tenho a menor curiosidade.A seguir
vai um relato do biólogo Sérgio Greif, da Sociedade Vegetariana
Brasileira.Vou tentar resumir ao máximo a fim de não alongar demais
o assunto.
Ele começa nos falando sobre como a indústria
de carnes fetichisa a mercadoria com animais bonitinhos, felizes e
sorridentes, fazendo-nos acreditar que eles tiveram uma vida feliz,
uma morte rápida e indolor.
Em sua descrição conta que os bois
primeiramente são levados em caminhões de trasnsporte de
gado com 12 animais dentro. Sentindo com certeza algum
desconforto.Na chegada ao matadouro, que pode levar horas até lá se
o local de onde vieram for longe, o gado é retirado a chutes e pontapés em
um terreiro cercado, ficam ali algumas horas, pois os abates são
geralmente de madrugada.Por causa do horário Greif não viu, mas tem
quase certeza que do terreiro os animais são enfileirados num
corredor que os leva à sala onde serão abatidos .Em seguida nos conta
já como os animais estão estressados pois ouvem os gritos, sentem o
cheiro de sangue e vêem muitos bois serem mortos!Segundo o
relator,seus olhos
aparecem saltados na órbita além de mugirem desesperadamente.O
animal se recusa a ir para frente, mas o outro boi atrás e os
chutes e descargas elétricas o fazem ir adiante.Imaginem o medo
correndo em suas veias!Prosseguindo o relato, os bois finalmente
entram na sala do abate onde presenciam tripas pelo chão e alguns
de seus companheiros
pindurados, fatiados.Ele tenta escapar, mas a parede de aço o
impede.A partir daí o animal parte para a chamada
insensibilização.No matadouro em que Greif esteve este processo era feito
por uma pistola pneumática disparada na cabeça dos bois a fim de
paralisá-lo, ele conta
que em alguns casos ainda se usa um marreta.A
pistola pneumática
dispara uma vareta metálica no crânio do animal até o cérebro.Dizem
que é um método” humanitário segundo o autor pois o bovino
permanece desacordado e não sofre dor pelo resto do
processo.Entretanto ele nos relata que não há como se ter certeza
disso pois o animal não parece desacordado e sim atordoado e
impossibilitado de reagir.Algumas vezes, um mesmo animal precisa
ser insensibilizado mais de uma vez, o que segundo o relator não
mostra ser um método “humanitário” nem indolor.O
próximo passo é pendurar o animal de cabeça para baixo suspenso por
duas patas traseiras.Possivelmente nesse momento o animal rompa
alguns ligamentos e destronque alguns membros devido ao seu peso.No
momento que o animal é suspenso Greif percebe que sua cabeça ainda
se move, os funcionários dizem que são espasmos que o animal já não
pode sentir .No entanto os olhos ainda piscam, a língua se mexe
tentando conter o
vômito e puxar para dentro o ar .Ele termina a frase com uma
pergunta:Este animal não está sentindo dor?(6). E ele ainda
prossegue com seu relato mas o que nos interessa já foi
descrito.
É uma questão para refletir, para algumas
pessoas isto que foi descrito vai ser considerado crueldade, já
para outras não.Claro, tem-se que considerar que não é muito
agradável para o gado quanto para qualquer outro animal que é
abatido,mas “muita gente não liga “ e provavelmente a
“matança continue”.
Os animais na nossa sociedade ainda estão
vulneráveis, pois embora existam leis que os protegem geralmente
não punem ninguém quando elas são infringidas.Uma das
principais causas é que não há fiscalização, que vem em
consequência de uma
preocupação maior sobre outros assuntos aqui no Brasil.Num país
como o Brasil onde a ignorância dos direitos é quase que uma
constante,faz com que essas leis passem despercebidas gerando um
desrespeito enorme pois acredita-se que não haverá punição.É ai que
aparece a degradação,a violência, a falta de amor que recebem
tantos animais.
É preciso que no Brasil haja uma
conscientização ou pelo menos um debate nesse respeito,até mesmo
porque foi por esse motivo que escolhi falar sobre esse tema.Os
animais merecem respeito como qualquer outro ser vivo!É o que diz a
Declaração Universal dos Direitos dos
Animais.
Referências
Bibliográficas:
(1) www.vivabicho.org.br
(2) http://pt.wikipedia.org/wiki/Farra_do_boi
(3)
www.farradoboi.org
(4) www.ciência.bsw.uol.br/animais-em-laboratório
(5) www.fiocruz.br/animais de
laboratório
(6) www.geocities.com/visita a
matadouro